Projeto mapeia oportunidades para produção de biogás e biometano a partir da biomassa e investiga os impactos da transição para uma economia de baixo carbono sobre a geração de empregos verdes no Espírito Santo
A Findes, por meio do Observatório Findes, e o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), em parceria com a Open Society Foundations, estão desenvolvendo o projeto Economia Verde no Espírito Santo: Impactos Socioeconômicos e Estratégias para um Ecossistema de Negócios Baseado em Biomassa. A iniciativa busca produzir conhecimento estratégico para apoiar a transição para uma economia de baixo carbono no Estado, a partir de duas frentes complementares: a análise dos empregos verdes e dos impactos socioeconômicos de investimentos em descarbonização e o aproveitamento da biomassa para produção de biogás e biometano.
Na primeira frente, o projeto investiga como os empregos verdes estão distribuídos entre setores, ocupações e territórios capixabas e analisa os impactos que investimentos estratégicos associados à descarbonização podem gerar sobre emprego e renda. Na segunda, mapeia a cadeia de biogás e biometano no Espírito Santo, considerando o potencial energético dos resíduos das atividades agropecuárias, agroindustriais e do saneamento básico, além das condições necessárias para seu aproveitamento.
O projeto está alinhado à agenda estadual de descarbonização e ao objetivo de neutralização das emissões de gases de efeito estufa até 2050. A iniciativa também se soma a esforços já em curso no Espírito Santo, conduzidos pelo Governo do Estado, órgãos reguladores, instituições públicas e empresas para estimular o desenvolvimento de combustíveis renováveis e avançar na transição para uma economia de baixo carbono.
De forma integrada, os estudos buscam gerar evidências para subsidiar decisões públicas e privadas, orientar investimentos, apoiar a estruturação de projetos e instrumentos de financiamento e contribuir para políticas voltadas à descarbonização e ao desenvolvimento sustentável do Espírito Santo.
Biomassa pode se transformar em energia e novas oportunidades
A frente de biogás e biometano está estruturada em dois estudos. O primeiro, Diagnóstico da Cadeia de Biogás e Biometano no Espírito Santo, busca dimensionar o potencial teórico de produção de biogás e biometano a partir da biomassa gerada no Estado, ou seja, quanto poderia ser produzido caso toda essa biomassa fosse aproveitada para geração de energia. O estudo também analisa as condições para o desenvolvimento dessa cadeia, considerando a infraestrutura existente, a demanda potencial e o ambiente regulatório do setor.
O levantamento considera resíduos provenientes das atividades agropecuárias e agroindustriais e do saneamento básico nos municípios capixabas. A análise contempla substratos associados às vocações produtivas do Espírito Santo, como dejetos da produção animal e resíduos agrícolas e agroindustriais, além daqueles provenientes dos resíduos sólidos urbanos e do tratamento de esgoto.
Os primeiros resultados do estudo apontam um potencial teórico de geração de aproximadamente 317 milhões de Nm³ de biogás por ano a partir dos resíduos considerados pelo estudo nos 78 municípios capixabas. O dado representa uma primeira dimensão das possibilidades existentes e será qualificado com o avanço do projeto.
A proposta, portanto, vai além de estimar quanto de energia poderia ser produzido. O estudo busca compreender quais resíduos estão disponíveis, onde estão localizados, quais são as características produtivas dos territórios, onde se encontram os potenciais consumidores e quais aspectos regulatórios e de infraestrutura influenciam o desenvolvimento dessa cadeia.
O olhar territorial é um dos diferenciais do trabalho. Em vez de tratar o Espírito Santo como um bloco único, o estudo analisa o Estado a partir de oito regiões, permitindo identificar diferentes vocações e características relacionadas à disponibilidade de biomassa.
Os resultados preliminares mostram que cada região apresenta uma composição própria, indicando que o desenvolvimento da cadeia de biogás e biometano deverá considerar as especificidades dos territórios. Isso significa que não existe necessariamente uma solução única aplicável a todo o estado, mas diferentes possibilidades de projetos e modelos de negócio a partir das características locais.
Os dados preliminares também evidenciam a importância das atividades desenvolvidas no campo. Do potencial teórico identificado até o momento, 42% estão associados à pecuária, 33% à agricultura e 25% ao saneamento. Assim, três quartos do potencial estimado têm origem nas atividades agropecuárias.
Essa distribuição revela um dos principais desafios para o desenvolvimento da cadeia de biogás e biometano no estado: a produção de resíduos está mais dispersa pelo interior, enquanto parte relevante da demanda por energia se concentra nos polos industriais, especialmente na região de Vitória, onde estão grandes consumidores de calor em seus processos produtivos. Nesse contexto, aproximar os territórios geradores de biomassa dos centros consumidores de energia é, ao mesmo tempo, um desafio logístico e uma oportunidade para a estruturação de novos negócios.
Do potencial teórico aos projetos nos territórios
A segunda etapa da frente de biogás e biometano será a Caracterização dos Polos Agroindustriais de Biomassa para Biogás e Biometano. Nessa fase, o projeto avançará para uma investigação mais próxima da realidade dos territórios, com pesquisa de campo junto a atores estratégicos das cadeias produtivas analisadas, especialmente aquelas relacionadas aos resíduos agropecuários e agroindustriais.
O trabalho de campo permitirá qualificar e validar os dados levantados na primeira etapa, aprofundando o conhecimento sobre a organização da produção, a disponibilidade efetiva de substratos, as práticas existentes e as condições que estruturam a dinâmica dos territórios e de seus principais atores.
A partir dessa análise, será possível identificar e caracterizar polos com potencial para o desenvolvimento de projetos de biogás e biometano, aprofundando a compreensão sobre oportunidades e desafios locais e produzindo informações que possam subsidiar tanto os estudos de viabilidade, quanto a futura estruturação de projetos e o delineamento de políticas públicas voltadas ao setor.
Empregos verdes também estão no centro do projeto
A outra frente do projeto é o estudo Empregos Verdes e o Impacto de Investimentos Estratégicos no Espírito Santo, que busca compreender como a transição para uma economia de baixo carbono já se manifesta no mercado de trabalho capixaba e quais transformações poderão ocorrer a partir do avanço dessa agenda.
O estudo vai identificar e caracterizar setores, ocupações e territórios relacionados às atividades verdes, estabelecendo uma linha de base que permita compreender a dinâmica e acompanhar a evolução desses empregos no Espírito Santo.
Além do diagnóstico dos empregos verdes, o estudo avaliará os impactos de investimentos estratégicos em descarbonização sobre a economia capixaba. A análise considerará os efeitos gerados ao longo das cadeias produtivas e seus reflexos sobre produção, emprego, renda e geração de empregos verdes.
Com isso, será possível produzir evidências para apoiar a priorização de iniciativas com maior potencial de impacto socioeconômico e compreender de que forma os investimentos associados à transição de baixo carbono podem contribuir para a geração de oportunidades de trabalho e para o desenvolvimento regional.
Base técnica para decisões públicas e privadas
O projeto dialoga e soma esforços a iniciativas já em andamento no Espírito Santo voltadas à descarbonização e ao desenvolvimento do mercado de combustíveis renováveis.
Nos últimos anos, o Estado tem avançado em diferentes frentes relacionadas ao tema, incluindo medidas tributárias e regulatórias, iniciativas para inserção do biometano na estrutura de distribuição de gás canalizado, definição de condições para sua injeção na rede, investimentos em infraestrutura e implantação de empreendimentos voltados à produção de combustíveis renováveis.
Nesse contexto, o projeto desenvolvido pela Findes, por meio do Observatório Findes, e pelo Bandes busca acrescentar uma dimensão importante a esse ambiente: informação territorial, econômica e socioeconômica capaz de apoiar a tomada de decisão.
Ao reunir informações sobre potencial e localização da biomassa, características dos territórios, demanda potencial, empregos verdes e impactos sobre emprego e renda, os estudos poderão subsidiar a formulação de políticas públicas e instrumentos de incentivo, apoiar a identificação de oportunidades de investimento e contribuir para a estruturação de projetos e iniciativas de financiamento.
O conhecimento produzido também poderá auxiliar empresas, produtores, investidores e poder público a compreender onde estão as oportunidades e quais condições precisam ser desenvolvidas para que elas se concretizem.
Ao integrar as análises sobre biomassa, energia renovável, empregos verdes e impactos socioeconômicos, o projeto busca contribuir para que a transição para uma economia de baixo carbono seja também uma estratégia de desenvolvimento para o Espírito Santo, conectando descarbonização, aproveitamento dos recursos do território, novos negócios, emprego e renda.












































