A economia capixaba fechou a primeira metade de 2026 combinando crescimento da indústria extrativa, avanço das exportações e um mercado de trabalho aquecido, mas também revelou sinais que exigem atenção.
A produção industrial do Espírito Santo cresceu 20,2% no primeiro semestre, o maior crescimento entre os estados brasileiros. No mercado de trabalho, a taxa de desocupação atingiu a mínima histórica do estado de 2,3%. A indústria em alta e o mercado de trabalho aquecido reforçam as perspectivas positivas para o ano, com as projeções do IAE-FINDES apontando crescimento de 1,7% para a economia capixaba em 2026. Os resultados, porém, refletem dinâmicas distintas entre os setores, com a indústria extrativa sustentando parte importante do avanço, enquanto segmentos da indústria de transformação e outros setores econômicos enfrentam maiores desafios.
Taxa de variação anual (%) do PIB/IAE-FINDES do Espírito Santo e Brasil
Nota: (p) – projeção. Para o Brasil, a projeção refere-se à mediana do Focus do dia 24 de agosto de 2026. Para o Espírito Santo, a projeção foi divulgada pelo OBSERVATÓRIO FINDES em junho de 2026.
Fonte: IBGE, OBSERVATÓRIO FINDES e BCB.
Setor extrativo impulsiona crescimento da indústria no primeiro semestre
O desempenho da indústria capixaba no primeiro semestre foi impulsionado, sobretudo, pela indústria extrativa, que cresceu 32,0% no período. O resultado refletiu o aumento da produção de petróleo e gás natural e de pelotas de minério de ferro. Em sentido contrário, a indústria de transformação recuou 2,8%, influenciada principalmente pelos resultados negativos da fabricação de produtos de minerais não metálicos e de produtos alimentícios.
O expressivo desempenho do setor extrativo está associado à entrada e à expansão de novas operações na produção de petróleo e gás natural e de pelotas. Parte desse impulso, contudo, tende a perder força nos próximos anos, à medida que esses efeitos sejam progressivamente incorporados à base de comparação. Nesse cenário, o desempenho dos demais segmentos da indústria ganha importância para a sustentação do crescimento industrial capixaba.
ES movimenta US$ 15,7 bilhões no comércio exterior até julho e novos produtos e mercados ganham espaço na pauta siderúrgica
O comércio exterior capixaba movimentou US$ 15,7 bilhões entre janeiro e julho de 2026. No período, as exportações somaram US$ 5,9 bilhões, com crescimento de 4,8% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as importações alcançaram US$ 9,8 bilhões, alta de 19,7%. Nas exportações, o minério de ferro foi o principal destaque positivo, com expansão dos embarques em um cenário de preços menos favoráveis.
Na siderurgia, as placas de aço mantiveram a liderança da pauta, enquanto os laminados ganharam espaço, com a expansão para novos mercados. O avanço dos laminados e o aumento das vendas para a Europa e a América Latina observados no período contribuem para diversificar os parceiros comerciais e reduzir a dependência do mercado norte-americano, movimento que ganha relevância diante do ambiente internacional marcado pelo avanço de medidas protecionistas.
Inflação da Grande Vitória permanece acima da nacional em cenário de juros elevados e alto custo do crédito
Mesmo com os preços crescendo em ritmo menos intenso, a inflação da Grande Vitória acumulou alta de 5,07% nos 12 meses encerrados em julho, permanecendo acima da inflação brasileira, de 4,44%. Assim, enquanto a inflação da Grande Vitória permanece acima do limite superior da meta, de 4,5%, estabelecido pelo Banco Central, o índice nacional segue muito próximo desse patamar. Essa diferença está associada, em parte, ao comportamento dos preços administrados, que avançaram 7,20% na região, ante 5,10% no país. Já entre os preços livres, os serviços se destacaram como principal fonte de pressão nas duas localidades, com alta de 6,74% na Grande Vitória e de 5,86% no Brasil.
Nesse contexto de inflação ainda próxima ao limite superior da meta, o Banco Central vem conduzindo uma política monetária contracionista, com cortes graduais que mantêm as taxas de juros (Selic de 14,0% a.a.) e o custo do crédito em patamares elevados. Nesse ambiente, o mercado de crédito tem apresentado baixo dinamismo, especialmente nas operações com empresas, enquanto a inadimplência avançou em um contexto de elevado comprometimento da renda das famílias.
Desocupação atinge mínima histórica no ES, mas informalidade avança
O mercado de trabalho do Espírito Santo atingiu, no 2º trimestre de 2026, a menor taxa de desocupação da sua série histórica: 2,3%, dando continuidade à trajetória de queda observada desde 2021. O resultado ficou abaixo da taxa brasileira, de 5,4%, e colocou o estado com a terceira menor desocupação do país, atrás apenas de Santa Catarina (2,1%) e Mato Grosso (2,2%). A melhora não se restringiu à redução da desocupação: a população ocupada capixaba cresceu 3,6% em relação ao trimestre anterior, um acréscimo de aproximadamente 71 mil pessoas.
O aquecimento do mercado de trabalho capixaba, contudo, tem sido acompanhado pelo avanço da informalidade. No 2º trimestre, a taxa de informalidade alcançou 40,0% no estado, acima da média nacional (37,4%) e das taxas registradas em Mato Grosso (34,1%) e Santa Catarina (25,4%). Além disso, a informalidade capixaba aumentou 1,4 p.p. em relação ao trimestre anterior e 1,8 p.p. na comparação com o mesmo trimestre de 2025.
Em sua 42ª edição, BIC ganha nova estrutura e estreia a seção Fato Econômico
Em sua 42ª edição, o Boletim da Indústria Capixaba (BIC) apresenta uma nova estrutura, mantendo o acompanhamento da conjuntura econômica do Espírito Santo e incorporando a seção Fato Econômico, dedicada à análise de temas relevantes do debate econômico e de seus possíveis impactos sobre a economia e a indústria do estado. Nesta edição, a nova seção analisa o Acordo Mercosul-União Europeia e as oportunidades e desafios que sua implementação pode trazer para o Espírito Santo.
Acordo Mercosul-União Europeia amplia possibilidades para o comércio exterior capixaba
O Acordo entre Mercosul e União Europeia torna-se um importante instrumento comercial e geopolítico brasileiro, sendo especialmente relevante para economias regionais fortemente orientadas ao comércio exterior, como a do Espírito Santo. Do ponto de vista comercial, o acordo prevê a eliminação gradual de tarifas aplicadas às importações entre os dois blocos. Ao todo, a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo Mercosul, enquanto o Mercosul irá zerar as tarifas sobre 91% dos produtos exportados pelos países europeus.
Para o Espírito Santo, as oportunidades criadas pelo Acordo permitem ampliar a atuação no mercado europeu de produtos capixabas já inseridos nesse mercado, além de abrir possibilidades para a diversificação da pauta exportadora do estado. Entre os principais potenciais identificados estão a expansão das exportações industriais capixabas, a abertura de novos mercados e o fortalecimento do Espírito Santo como plataforma logística nacional para entrada e distribuição de produtos.
Confira aqui a edição mais recente do BIC.












































