No primeiro semestre de 2025, a indústria capixaba registrou um crescimento de 3,0%. No comércio exterior, no entanto, a queda nos preços internacionais de commodities como petróleo, celulose e minério de ferro, resultou em uma redução de 10,4% no valor das exportações industriais. Internamente, a inflação permaneceu elevada, com o IPCA em 12 meses atingindo 5,20% na Grande Vitória. No mercado de trabalho, o setor industrial se destacou pela geração de empregos formais e remunerações superiores à média estadual. Apesar dos avanços, o ambiente econômico nacional, marcado por juros elevados, e o cenário internacional desafiador podem ter contribuído para queda do otimismo do setor, como refletido na confiança do industrial capixaba de agosto.
A indústria capixaba reverteu as perdas observadas no início do ano e fechou o semestre em expansão. A produção industrial cresceu 3,0% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionada pelas atividades de mineração (pelotização), metalurgia e papel e celulose.
A atividade de pelotização do minério de ferro foi positivamente impactada pela retomada gradual da capacidade produtiva da Samarco que, ao final do semestre, chegou a 60%. Já a metalurgia foi impulsionada pela maior demanda de produtos de aço no mercado interno. Por sua vez, a atividade de papel e celulose apresentou certa resiliência em razão de um ambiente externo desafiador, com quedas no preço internacional das commodities nos principais mercados consumidores.
Além da celulose, outras commodities relevantes para a pauta exportadora capixaba, como o petróleo e o minério de ferro, também registraram quedas nas cotações internacionais. Esse movimento resultou em uma retração de 10,4% no valor das exportações da indústria do Espírito Santo no primeiro semestre do ano, ao passo que em termos de volume, as vendas externas tenham permanecido estáveis (+0,1%).
Na economia doméstica, os preços ao consumidor seguiram pressionados, impulsionados pelo aumento nos grupos de alimentação em domicílio, bens industriais e serviços. No acumulado em 12 meses até julho, o IPCA registrou aumento de 5,23% no país, patamar acima da meta estipulada pelo CMN, de 3,0% com limite superior de 4,5%.
No mercado de trabalho, o setor industrial, além de gerar novos empregos com carteira assinada, também ofereceu uma remuneração mais alta em relação à média da economia estadual. Entre as atividades que mais geraram novos postos de trabalho estão: manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, fabricação de produtos de metal, outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores e obras de montagem industrial.
Mesmo com crescimento na produção e avanços no mercado de trabalho, o cenário econômico de 2025 impõe à indústria brasileira uma série de desafios que tendem a fragilizar a confiança do empresariado industrial nacional. Internamente, um desses desafios é a elevada e persistente taxa de juros, que encarece o crédito e dificulta a realização de novos investimentos produtivos. Neste sentido, em agosto, o industrial capixaba apresentou falta de confiança, sustentada pela mudança na perspectiva dos empresários para os próximos 6 meses e insatisfação com as condições atuais da economia e negócios.
Por fim, a edição do Boletim da Indústria Capixaba de agosto traz três análises especiais:
➡️ Impacto das Tarifas e Plano Brasil Soberano
➡️ Indicadores Gerais do Mercado de Trabalho
➡️ A evolução recente na dinâmica estrutural da indústria capixaba







































